O “Fenômeno Jair Bolsonaro” e os Jovens: Por que tão próximos?

O “Fenômeno Jair Bolsonaro” e os Jovens: Por que tão próximos?

29 de janeiro de 2018
174
Por Zé Carlos Ribeiro

Nos últimos anos, intensificou-se o desencanto dos jovens pela política no Brasil. Juan Arias (2014) diz que “os jovens são pragmáticos, pós-políticos e gostam dos líderes radicais, os que têm a marca da autenticidade, algo que os políticos e os adultos costumam esquecer com muita frequência.”

É nesse sentido que Jair Bolsonaro (tão querido, quanto odiado) aparece como uma figura que, além de ostentar posturas radicais, se apresenta como um “salvador”, diante dos muitos escândalos de corrupção que temos assistido, sobretudo após a Operação Lava Jato.

Segundo recente pesquisa DataFolha, 30% dos que dizem apoiar Bolsonaro tem menos de 24 anos, o que demonstra a simpatia desse público com as ideias divulgadas por ele. Nas redes sociais, por exemplo, não faltam compartilhamento de memes utilizando frases e gestos do pré-candidato, seguidos, quase sempre, de comentários de defensores e críticos às posturas do deputado.

Apesar de defender a Ditadura Militar, Jair Bolsonaro sabe que jamais estaria no Congresso se não fosse por meio da democracia, construída pelas mãos da própria juventude. E muito me custa a acreditar que seus apoiadores queiram, de fato, vivenciar um novo Golpe, como o de 64, com exceção daqueles que faltaram às aulas de História Brasileira durante o Ensino Médio.

Entre se dizer apolítico ou participar ativamente de um processo eleitoral defendendo um candidato no qual acredite e julgue ter o potencial de representá-lo, que opção teremos/daremos aos jovens? Certamente, seria muito mais arriscado se continuássemos a engrossar as fileiras de grupos contrários aos partidos políticos. Na inexistência de partidos e até de políticos, o que nos espera?

Infelizmente, grande parte da sociedade brasileira – e nisso nos incluímos – costuma atribuir ao outro a culpa pelas mazelas do país, como a corrupção. Porém, se lançamos a ideia para que participem do processo político e sejam agentes de mudança, os mesmos cidadãos se retraem e fogem do jogo. Não confiam em si e acreditam que também se corromperiam. São esses os apolíticos? Sentem-se superiores às siglas partidárias, mas se recusam a formar ou participar de uma delas.

Os jovens que se dizem apolíticos são muito mais temerosos que os seguidores do Bolsonaro. Enquanto estes sabem que é nas ruas e nas urnas que ocorrerá o enfrentamento, com todas as instituições funcionando, por outro lado, aqueles condenam a ordem democrática e nos encaminham para o caos.

A juventude busca alguém que possa, de fato, representá-la. Ninguém deve condenar o outro por acreditar na possibilidade de ser melhor governado. Decerto, não podemos permitir que nossos alunos, filhos e amigos comecem a endeusar ou fortalecer salvadores que jamais existirão, mas precisamos estabelecer, com cada um deles, o diálogo necessário a fim de entender o que desejam para este país.

Se discordamos de Bolsonaro e sequer conseguimos conviver com os seus eleitores em nossas redes sociais, temos de começar a nos perguntar qual o significado de democracia para nós. Não aceitar e não divulgar discursos de ódio deve ser um compromisso de todos, mas impedir que eles cheguem até nós por meio do Facebook ou do Instagram não fará com que eles desaparecem.

Por último, é extremamente importante que Jair Bolsonaro se candidate e exponha suas opiniões nos debates que participar, junto a todos os demais candidatos. A esquerda e a direita brasileira precisa sentar na mesma mesa para apresentar ao povo as ideias que defendem. É o mínimo que se espera!

Reduzir partidos, impor censura, fazer prevalecer a opinião de uns em detrimento dos outros nada tem a ver com regime democrático. Portanto, cabe a nós valorizarmos a participação dos jovens nesse processo, fazendo-lhes entender que é pelo diálogo e ideias que se pode conquistar o outro. É assim que a direita parece tê-los, em parte, conquistado. E Jair Bolsonaro os aproxima disso, ao dizer o que eles desejam ouvir, ainda que não existam verdades absolutas e incontestáveis.

Zé Carlos Ribeiro
Colunista – Portal Opinião

 

Comentários